5 passos para tomar decisões de forma efetiva

Tempo de leitura: 5 minutos.

 

Tomar decisão não é uma arte. A menos que não tenhamos foco em tomar uma decisão da melhor forma possível, provavelmente vamos decidir de forma emocional e encontrar uma boa explicação “lógica” para justificar a escolha. Se isso não fosse real, a maior parte das vendas não existiria. Vendedores sabem disso. Marqueteiros sabem disso. Então, como podemos “escapar” da armadilha das decisões emocionais?

Bom, se você:

  • já teve que tomar uma decisão “cabeluda” e ficou semanas talvez até meses sem saber o que fazer; e/ou
  • precisa tomar decisões de forma eficiente, assertiva e rápida no seu dia-a-dia; e/ou
  • vai ter que tomar uma decisão importante nas próximas semanas; e/ou
  • já se arrependeu de uma decisão errada na vida; e/ou
  • é seu trabalho ajudar outros a tomarem decisões

então este artigo é para você.

Utilize estes cinco passos e você terá uma probabilidade muito maior de tomar uma decisão da qual você não vai se arrepender no futuro. Esta é uma tomada de decisão baseada no processo utilizado por Tony Robbins em alguns de seus treinamentos.

Passo 1 – Esteja bem: entre em estado de “recurso”

Mmm.. Que bicho é este? Estar em estado de recurso significa que você esteja bem. Tomar uma decisão cansado, com fome, com sono, com sede e com irritação é uma receita para um desastre. Impressionantemente, é incrível o número de pessoas que tomam decisões vitais no final do dia ou início da noite, cansadas, exauridas. O pior momento para tomar uma decisão é sexta-feira de tarde… Bomba-relógio.

Para tomar uma decisão importante você precisa: ter dormido muito bem na véspera, estar se alimentando bem, estar bem hidratado, relaxado, desperto e alerta. Um processo de tomada de decisão importante deveria ser tomada numa manhã, após um bom café, antes das demandas e urgências do dia comecem a minar seu cognitivo. Se segunda-feira de manhã é um caos para você, provavelmente você vai querer usar terça de manhã para este processo.

Passo 2 – Clareza do problema, situação, porquês e resultado desejado

Como já mencionado acima, a maior parte das pessoas toma decisões de forma emocional. E o pior, não sabem que estão tomando uma decisão… Não sabem que resultado estão buscando… não sabem as consequências… não sabem o porquê a decisão é importante em suas vidas.

Este passo é fundamental. Entenda que resultado você está buscando, que problema está resolvendo, qual a situação real separando as fantasias, imaginações e medos dos reais fatos, compreenda a consequência de não tomar uma decisão, e porque a decisão é tão importante para você.

Se não paramos para entender cada um desses elementos existe uma chance enorme de estarmos tomando uma decisão errada, pelos motivos inadequados sem entender as consequências.

Lembrando: não tomar uma decisão é tomar a decisão de procrastinar uma decisão que talvez tenha que ser tomada.

Passo 3 – Encontre o maior número de opções e alternativas.

Comece com no mínimo três opções. Uma opção é um caminho, não é uma opção pois não há espaço para uma escolha. Duas opções é um dilema: você sabe que vai perder algo. Com três opções a brincadeira começa a ficar interessante.

Com três ou mais opções fica muito mais fácil de observar as vantagens e desvantagens de cada alternativa. Além disso, quando você se força a encontrar mais alternativas geralmente encontra melhores opções.

As opções óbvias estão na ponta da língua. Com frequência estas opções são frágeis, pouco criativas e muito limitantes. Quando exploramos três, quatro, cinco opções, começamos a colocar nosso cérebro para funcionar de forma inovadora e criativa.

Não precisamos de soluções óbvias, precisamos de soluções adequadas. Com muita frequência nos bloqueamos para tomar uma decisão porque só estamos com duas opções óbvias que não trazem os resultados que queremos. E aí ficamos… esperando, esperando…

Passo 4 – Defina critérios e utilize ponderação se necessário.

Engenheiros, estatísticos e matemáticos amam ou detestam esta etapa.

Enfim, este passo é para elevar o grau de percepção sobre a relevância dos fatores considerados num processo de tomada de decisão. Este passo sai do achismo e cria um forma mensurável com base na auto-percepção sobre o que é mais importante que o quê.

O objetivo deste passo é criar uma tabela para que você possa calcular a melhora solução. Nas colunas vamos ter as opções diferentes e nas linhas os critérios. Cada célula terá o valor de relevância de cada critério numa tomada de decisão. Ao final da avaliação, soma-se cada coluna para saber qual a opção que tem a maior probabilidade de trazer satisfação.

Existe ainda a possibilidade de você criar uma ponderação nos critérios, pois afinal, nem todos os aspectos são igualmente importantes. Por exemplo, uma mudança de trabalho. Há inúmeros critérios relevantes: salário, desenvolvimento pessoal e profissional, estabilidade, oportunidades, riscos, ambiente de trabalho, desafios. Para algumas pessoas salário pode ter prioridade 10 enquanto estabilidade será 2. Já para outras pessoas, pode ser o contrário. Usando a ponderação, cada célula será o produto entre o peso do critério e o grau de satisfação deste critério em relação a alternativa.

Um exemplo vai simplificar isso. Vamos lá. Suponha que o cidadão está pensando se casa ou compra uma bicicleta. Mas como duas opções é um dilema, está considerando também fazer um mochilão pela Europa.

Vamos considerar os seguintes critérios: amor (realização num relacionamento), sensação de liberdade, aprendizado e finanças (impacto com a decisão). E vamos dizer que as ponderações poderiam ser: Amor= 8; Liberdade= 7; Aprendizado= 10; Finanças= 5

Se casar as avaliações serão: Amor= 10; Liberdade= 5; Aprendizado = 8; Finanças= 2. E se comprar uma bicicleta: Amor= 0; Liberdade= 8; Aprendizado= 2; Finanças= 9. Já um mochilão pela Europa: Amor= 0; Liberdade= 10; Aprendizado = 9; Finanças = 6

Sem ponderação, as opções seriam: Casar= 25; Comprar uma bicicleta= 19; Mochilão pela Europa= 25. Mmmm… temos um empate.

Vamos usar a ponderação agora.

Se casar as avaliações serão: Amor= 10*8; Liberdade= 5*7; Aprendizado = 8*10; Finanças= 2*5. E se comprar uma bicicleta: Amor= 0*8; Liberdade= 8*7; Aprendizado= 2*10; Finanças= 9*5. Já um mochilão pela Europa: Amor= 0*8; Liberdade= 10*7; Aprendizado = 9*10; Finanças = 6*5.

Totalizando: Casar= 205; Comprar uma bicicleta= 121; Mochilão pela Europa= 190.

Neste exemplo, no momento que você coloca a ponderação, o desempate acontece naturalmente. Imagine que você não esteja satisfeito com o resultado, ou a diferença dos resultados de cada alternativa com a ponderação tenha empates ou diferenças muito pequenas. O que fazer?

Possivelmente o que está acontecendo é que você não considerou todos os critérios ou não foi muito consciente quando definiu os pesos na ponderação. Para encontrar os critérios escondidos pergunte-se: por que eu não estou satisfeito com esta solução para minha tomada de decisão? Quando você responder verdadeiramente vai encontrar ou critérios escondidos ou que a ponderação não é real. Por exemplo, finanças pode ser muito mais importante que você está colocando na sua tabela. Talvez você tenha algum julgamento com isso e por consequência minimize a relevância deste critério.

Passo 5 – Escolha a melhor opção e vá em frente (e aceite as consequências).

E poderíamos completar com “e não venha com mi-mi-mi” depois. Ou seja, tome a decisão, vá em frente e aceite as consequências (todas elas) que vierem com esta decisão.

Não existe tomada de decisão perfeita. Não existe a possibilidade de acertar sempre. Este método utiliza exploração de opções, probabilidades e relevância de critérios. Todos do ponto de vista de auto-percepção. Se você é coach, você pode auxiliar seu cliente com este processo.

Sumário

Tudo é difícil antes de ficar fácil. Tomar decisões não é uma exceção. Quanto mais decisões você você tomar, mais fácil será para você. Experimente este método em decisões com consequências de baixo impacto antes de praticar com decisões muito importantes. Lembre-se:

a) Esteja bem, antes de mais nada

b) Entenda o quê e o porquê você quer algo

c) Explore o maior número de opções

d) Entenda e pondere os critérios que são importantes para você

e) Tome a decisão e vá em frente

 

 

 

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